Aprendendo a falar

O pai tem prazer em seus pequeninos

“Papai, me dá a laiterna?”

Esse é o modo de Lúcia pedir uma lanterna, ou algum brinquedo com luz.

Quando vai lanchar, perguntada sobre o que está bebendo, responde rápido: “Iugute” (iogurte, em tradução livre).

Dia desses, líamos um livro, e ela apontou, empolgada: “olha, pai! Um leião!” Era um leão.

Cada erro desses desperta um sentimento duplo.

Por um lado, eu devo corrigir os erros. Assim, sempre que ouço a palavra errada, como quando pede um “suvete ou soverte”, repito a palavra corretamente — “vou pegar o sorvete”.

Por outro lado, essas pequenas manifestações de confusão enchem o meu coração de ternura e amor, contemplando uma garotinha que ainda tem muito o que aprender, mas já consegue articular alguma coisa na caminhada da comunicação.

Na oração, eu e você somos crianças aprendendo a falar. Nossas orações são confusas, nossas palavras e motivações são misturadas, e acabamos pedindo suvetes, iugutes e laiternas. Mas Deus é um Pai amoroso. Ele não apenas se dispõe a nos entender em nossa confusão, como nos ensina a orar, e o Seu Espírito nos auxilia na oração.

Temos graça em meio aos erros.

Ao final do dia, colocando Lúcia no berço e apagando as luzes para sair, tenho o maior prazer em ouvir uma declaração ainda errada, mas que expressa algo profundo: “Eu te amo você, pai”. Vá ao Senhor, ainda que suas palavras não sejam as melhores. O Pai tem prazer em Seus pequeninos.